Encerrou ontem a 4ª edição do torneio de jovens Talentos de Florianópolis. Eu tive a oportunidade de jogar em 2007 o esboço do torneio, que reuniu alguns enxadristas das seleções de Florianópolis e convidados e foi muito importante para o meu desenvolvimento naquele ano - antes dele eu havia jogado 12 partidas pensadas em torneio e 3 de treinamento. Lembro de ter enfrentado Daniel Emendorfer, Malcolm Robinson, Marcelo Pomar, José dos Santos Jr. e Wladimir Müller, perdendo para os dois primeiros e vencendo os três últimos.
Dessa vez tomaram parte, além de mim, Gean Pereira, César Umetsubo, Christopher de Carvalho, Rodrigo Ferreira e Vinícius Fuck. O sistema Schuring e a organização do torneio favoreceram a competitividade e as partidas foram bastante lutadas, apesar do controle de tempo (1h+15s por lance) ter favorecido deslizes em fases avançadas da partida. O César venceu o torneio perdendo apenas para o Fuck, o Gean ficou em segundo com 3 pontos e o resto da turma ficou com 2 pontos (!), o que demonstra o equilíbrio do torneio - senão nos ratings ou títulos, na força de vontade e empenho.
Mesmo sabendo que dificilmente conseguiria jogar bem, muito em consequência do período da vida que estou passando, aceitei jogar o torneio pelo desafio e pela experiência que sempre vale a pena. E de fato, a falta de ânimo competitivo fez bastante diferença nos detalhes e ao mesmo tempo a experiência foi muito proveitosa, tanto do ponto de vista técnico quanto psicológico. Meu objetivo, ao longo do torneio, foi jogar melhor partida após partida e conservar um espírito aguerrido o quanto eu pudesse, e nesse sentido acho que a missão foi cumprida. Eu poderia ter desanimado logo no começo, após perder a primeira partida por conta de um erro grosseiro, mas ao contrário: joguei a segunda partida me esforçando mais e jogando melhor. Poderia ter desanimado nessa segunda partida, após perder um final que surgiu vantajoso pra mim depois de bastante trabalho. E no entanto, joguei ainda melhor a terceira partida, que me rendeu o prêmio de beleza do torneio.
Ao final do evento, percebi o quanto pequenas coisas podem resultar na grande distância entre o zero e o um: um lance, um erro, um segundo... Uma partida cheia de boas decisões pode ser perdida depois de um erro grosseiro, ou por causa de um segundo que devia estar ali, mas o relógio já está piscando porque o tempo acabou. Enfim, as partidas contam muito mais do que a tabela de classificação. Em breve espero postar aqui as partidas comentadas de um jeito diferente, mais agradável e fácil de ver. Vamos ver se consigo montar tudo até o final da semana.
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Mas o assunto do momento é o match entre Anand e Topalov. Ontem, durante a 4ª rodada do Jovens Talentos, Anand estava ganhando a segunda partida para igualar o placar, depois de perder a primeira partida de forma bastante pobre. Antes do match fizemos nossas previsões, e vou defender a minha aqui: Anand vence, com 2 ou 3 pontos de vantagem. Acho que Topalov e seu bando usarão todo o tipo de artimanha (desta vez de forma menos escandalosa) para desestabilizar Anand, mas torço para que ele mantenha a cabeça fria e faça o que foi lá fazer: jogar xadrez.

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