"A consequência de ignorar os apectos criativos do xadrez é facilmente previsível. Sua tradução na prática é o surgimento da escola de reformistas, encabeçada por Capablanca, os quais temiam que a teoria, altamente desenvolvida, pudesse levar à paralisia do xadrez e, por isso, procuravam fazê-lo renascer divulgando uma revisão das regras do jogo. Agora sim, o que significa esta postulação? Em primeiro lugar, uma superestimação da força da teoria no sentido utilitário do termo. Em segundo lugar, um menosprezo da intuição, da imaginação e de outros elementos que elevam o xadrez à categoria de arte."
- Visão de Alekhine em 1929 sobre a atitude de alguns colegas em relação ao xadrez
- Visão de Alekhine em 1929 sobre a atitude de alguns colegas em relação ao xadrez
A semi-final não foi muito feliz pra mim, neste último final de semana. Com 3.5 em 6 fiquei longe da classificação e as partidas foram ainda piores que o resultado. Apenas duas partidas foram vencidas com certa consistência (embora erros grosseiros pipocaram em ambas) e na primeira depois de ganhar um peão me enrolei tanto que estava prestes a ser arrematado.
Na partida mais difícil que tive, contra o Disconzi, saí da abertura mal e sem saber direito como manejar as coisas, e depois de defender razoavlemente com muito esforço deixei passar a variante que dava melhores chances e acabei tomando ataque combinado de Dama+Torre+Bispo de cor oposta. Na partida seguinte, tive a chance de arrematar com uma combinação não muito difícil:

Após 1...f6? (eu esperava 1...Bc8) calculei uma porção de lances e mandei 2.Tb7! mas após 2...Db7 3.Be4 Td5 joguei o lance furado do cálculo preliminar, ao invés de parar pra pensar lance após lance: 4.cd5?? Bd5 5.Bd5 Dd5 com pequena vantagem para o branco. No entanto, mesmo errando no cálculo preliminar, não seria difícil ver no 4º lance o óbvio 4.Tb1! que ganha (4...Dc6 4.cd5 Bd5 5.Db3!+-).
E na última partida, que precisava vencer para ir a 4.5 e ter chances de classificar evitei variantes promissoras por calcular mal (como habitual) e acabei entrando numa posição onde acreditava que tinha ataque no flanco rei. Na verdade, o ataque não era grande coisa e o meu adversário, o Jailso de Almeida, defendeu bem. Chegamos à um final provavelmente equilibrado:

Com 1 minuto e alguns segundos contra 50 segundos resolvi jogar o brilhante 1.Tc5?? que perde no ato (aliás, como não perderia se está tudo pendurado??) 1...Te1 2.Rh2 Dd6 3.Dg3 Dg3 (3...Th1! 4.Rh1 Dg3-+) 4.Rg3 Te3-+. Um pouco mais de calma e daria pra explorar a vantagem no tempo sem pendurar nada.
Se eu tivesse menos indignado com o resultado do torneio e comigo mesmo eu escreveria um pouco mais, especialmente sobre a conversa na volta com o Djalma e o Umetsubo. Mas há uma compensação nisso, afinal, como disse o Nelson Rodrigues, só os indignados atingem a plenitude da condição humana. Depois disso saíram algumas avaliações e meu treinamento já está mudado, vou ver se funciona nos próximos meses e depois escrevo sobre isto aqui. O comentário de Alekhine no começo do post dá uma ideia. Neste final de semana não poderei jogar a final do estadual, mas no sábado vai acontecer a última etapa do circuito estadual de xadrez rápido. Vamos ver o que acontece.
Eu sou muito capivara. Muito.

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